domingo, 7 de outubro de 2012

Sobre o amor e outros absurdos


A criança sem cabeça
nos braços da mãe
e os ecos de um grito

A bomba precedeu o silêncio
A moça pede água, mais nada
Achava que era sede a dor do filho

Pela criança morta
de punhos erguidos

Pelo grito materno
em meu ouvido

Acredito no amor, ainda...

sábado, 6 de outubro de 2012

ocaso


não era água nos olhos do pássaro
era inverno, creio...
talvez acenos do amor

mas que amor sobreviveria aos olhos do pássaro?

são apenas palavras nas coisas do céu
e a vida mais forte que qualquer poema

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Estações


Entre a esperança da voz
e a imanência da morte
há um verão de ausências
                 que não passa

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Inutilidades


Lambuzar de sussurros
a pele dos gritos
é o meu ofício

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Pensamentos do corpo


Para entender a beleza
foi preciso queimar os olhos
na primeira promessa diante do sol

domingo, 30 de setembro de 2012

Cenografia e figurino


Há sal e vento na paisagem
Estão todos vestidos em nós
Falo do corpo nodoso dos laços
(Nós substantivo, plural)

O que se escuta é circular:
Pode tirar os sapatos...
Isso e uns nomes de gentes

Bateram na porta, de novo, de novo
Não, ainda não é tarde

O negro na face contorce a luz ausente
“Nem tudo que brilha é assunto dos olhos”

Um varal em volta do pescoço
A cena se move
sem que os pés pressintam

Num poço bem perto da calma
uma criança beija de língua
a cara de um pássaro

A inocência costura um sopro
nos retalhos do tempo

terça-feira, 7 de agosto de 2012

agosto dos ventos

--------------------
por hoje dispenso
o cansaço a pensar
na existência de Deus

entre o bem e o mal
há sempre poços de mel
nos corpos de um jardim

às vezes, tudo é um sopro
às vezes, um sopro me basta