sábado, 2 de agosto de 2014

quando se morre o corpo inteiro fecha os olhos?


onde apenas nós, os vivos?
onde apenas eles, os mortos?

as unhas e os pelos
são irmãos do tempo?

crescem entre espíritos por luxúria?
quanta terra se enterra
a descobrir silêncios?

corpo,
celebro a vida em teu nome!
e a vida, dança...

os ossos,
sem a querência do fogo
sobram ou ficam?


a memória dos ossos se ajoelha
diante de qualquer fogueira...

morte,
celebro a vida em teu nome!
nua, sou tua!

e a vida, dança...

sábado, 12 de julho de 2014

a deus ou

substantivo feminino


adeus é palavra
que necessita

a boca molhada
para ser bendita

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sob o signo da Lua


Onde o fogo das estrelas?

À noite o frio rosna
entre as vísceras

O corpo proclama um ciclo novo
sem o meu consentimento

Ossos felinos se contorcem
enjaulados pelo instinto de ir-se...

Delírio?

Se é sangue o que me pedes
assisto a tudo sobre as quatro patas

Com a boca cheia d´água
entrego em paz a agonia à dança

Um sorriso alcança a liberdade
--------------------antes de mim

Hoje o fogo pede descanso
e as estrelas ouvem

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

corredor para uma infância

para minha mãe, que no roseiral, nosso umbigo nas mãos, cavou aquela terra com as próprias unhas...

a casa
o quintal
o cheiro de café

choro sobre a rosa
o cordão umbilical

nas mãos secas
do velho lar
sempre será tempo de flores

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

amor carnal

para Sama

quando olhava os poros dos teus braços

sabia que o tempo
nunca estava em silêncio
----------------- e doía!

como era possível amar tanto
aqueles braços só dele?

era assim esse amor hoje
feito da rotina e crueza
de benquerer esses poros

dói!
às vezes...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

da série paradoxos existenciais

5:5:5

em sua busca pelo fogo
quanto mais sede no ventre
o frio é
------falta que mata e queima

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

uma flor no asfalto

----------
quase fui atropelada
para roubar do asfalto
uma flor ao relento

espasmo e dádiva
num cinza sem volta

como esmagá-la
na memória
do que não vi
com seu amarelo tanto?

parti ao seu encontro
cheia de cegueira no passo
vento nos cabelos e nos seios
poeiras em festa por dentro

pisada de guerreiro
salvando o mundo

trouxe a flor para casa
esculpi o melhor dos jarros

viverá quatro ou cinco dias
alimentando meus olhos

e só agora me dou conta
da gravidade do gesto

esquecida no asfalto
com a morte mais perto
parecia mais livre