sexta-feira, 7 de agosto de 2015

tempero de assombros

sinto o gosto do sal
o corpo na rua
desfronteira do encontro

vida,
estranha ferida
aberta entre ventos

tu mesma o moinho
devaneio e acaso

seria triste
não fosse a beleza em riste
a cada cicatriz que planto
a cada cicatriz que abraço

morte,
hoje feri desesperos de azuis
só para tocar teu rosto
com a língua

quinta-feira, 2 de julho de 2015

inocência entre incêndios


voz, grande dádiva,

te espero sobre os telhados
contando estrelas
pisando medos
com a força de 12 velas

como os meninos de El Salvador
enquanto eu falava de amor
num ingênuo instante

voz, grita-me!
amor, morre-me!
deus, ajuda-me a matar em paz!

domingo, 7 de junho de 2015

quase eu

e eis que acordo
aos quase quarenta
e me deparo com o espelho

meu retrato de Dorian Gray
crina
          cavalos brancos e negros
galopando no vento

outros bordados

se é para doer que doa
a-te-cer movimento
até ser

se é para doer que doa

até passar...

domingo, 1 de março de 2015

inúteis importâncias vitais

acreditar no silêncio
ver cores no escuro
errar por escolha
encruzilhar esquinas
abandonar o verbo
movimento...
silêncio
escuro
escolha
esquinas
verbo
movimento
porto...

olhares

dia de errâncias...
sonho motins nos silêncios da rua
por delicadeza a vida se esvai

acaricio a morte e o gozo
sou também de dentes e fomes
rio e mordo quase o tempo todo

saciada de belezas fecho os olhos...
e felizmente choro


domingo, 22 de fevereiro de 2015

pequenezas

havia flores tristes em minhas mãos
hoje cedo enquanto a vida
se acreditava lá fora

quem cruzar meu caminho hoje
não terá recompensas
tão menos promessas de amor

somente o espetáculo da flor
luta em cada uma das suas pétalas