sábado, 9 de abril de 2016

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de todas as dualidades inventadas por nós
dentro-fora é a que mais me intriga


por isso caminho de poros abertos
e respiro acariciando o tempo

sexta-feira, 8 de abril de 2016

...

a vida está a um útero do nada
isso é vasto demais para ser frágil

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dia de sombras

Amanheci má, desejando o bem a qualquer réstia, qualquer pó, qualquer coisa que se mova longe de mim... Indefesa e forte como a morte em todos nós... Cansada de tantos eus e meias palavras fantasiadas acordei mordendo os gatos da casa, rosnando mágicas como uma loba sem alcateia. A boca está cheia de pelos agora, o que é um bom alimento ao silêncio que precede o nada... E hoje é dia de não quero... Hécate, Medeia, Lilith, tudo pulsa fêmeo... Por Deus, não me peçam amor, não hoje, não aos meus cavalos soltos, cascos selvagens, correndo em alto mar... Asa de barata, veneno de cobra, uma pitada de currry e pimenta à vontade... Areia movediça, flores carnívoras e ervas daninhas... Plantar a 53ª árvore dessa vida, amassar o esterco com as mãos nuas, a bosta toda se espalhando entre os dedos, enquanto os pés misturam a terra às cinzas quentes da fogueira há milhares de anos... Só a Natureza pode entrar, a qualquer voz humana: Mantenha distância!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

espiritualmente orgânico

no caminho da cura onde mais dói
é onde mais precisa ser tocado

honro, agradeço, massageando
com apreço meu nobre fígado
a transmutar todos os venenos

domingo, 3 de abril de 2016

meu querido Sertão...

não se fecha uma porteira sem sentir
tudo o que se deixa para trás

prefiro as porteiras
aos muros e às portas

a visão do fechamento não encerra
uma superfície sólida, ao contrário,
abre uma paisagem na saudade

vastidão e solidão
são coisas que me cabem

e se existem
como as flores no deserto

terça-feira, 29 de março de 2016

visões ordinárias de uma vida-borboleta em estado Terra

hoje a qualquer encontro
não estarei isenta o suficiente
para não perturbar teu olhar

peço perdão por delicadeza
e me entrego aos desígnios
do Grande Mistério

aceito tudo que brote no caminho
aceito tudo que morra na caminhada


honro e honrarei cada passo
cultivando flores
entre as pedras da estrada


ouve atentamente um segredo:
sementes de flores são deusas
mudas, são magas

segunda-feira, 28 de março de 2016

respiração

para Sama

não faz muito
tua ausência
doía tanto em mim

de fazer e refazer
conheci respirar

hoje vi algumas teias
de aranha na tecedura
dos teus retratos

uma delas, bem antiga
entre a minha foto e a tua,
quer dizer... entre as nossas infâncias