segunda-feira, 2 de maio de 2016
domingo, 1 de maio de 2016
aceno ao tempo com olhos de saudade
escolhi
a fé no amor para seguir no mundo
já
sabia que ia doer desde que cheguei aqui
e
quis
hoje
não vou falar de abismos
quedas,
sombras, nada disso,
hoje
quero falar de amor
puro,
cru, arranhando
meu
corpo por dentro
amor
físico
essa
eternidade
filha
do verbo ir
como
as sombras
as
quedas
os abismosquarta-feira, 13 de abril de 2016
Alice
Hoje destino e acaso se uniram sem pressa, a sorte brotou com suas
vestes mais belas e recebi de presente a presença de Alice. Havia em meu corpo
até então vastidões da vida, distraidamente serena pensava nos encontros e
desencontros, nas tristezas e alegrias, essas coisas que acendem a essência de
um ser... Cuidando da alquimia possível da lágrima e do riso, do destravamento
doído dos músculos tensos para refazendas em geral, quando ela se aproximou e
pediu para ficar ao lado.
_ Oi, meu nome é Alice. Posso sentar com você?
Alice tocou o meu rosto e perguntou o meu nome. Eu disse. Depois me falou a sua idade: 13. Perguntou a minha: 40. Ela sorriu.
_ Um amigo me falou uma cena de um filme e eu amei a história, faz um
mês que repito. O mar mora dentro de mim e toda vez que sinto um oceano em
alguém eu me aproximo e peço uma coisa. Se eu pedir, tu faz?
Eu disse que sim, sem pestanejar.
Alice me pediu para fechar os olhos e imaginar que eu estava vendo o mar, segurou a minha mão e me fez descrever seus detalhes em tudo o que eu olhava... As vastidões de antes se acenderam de azuis e verdes e de tantas coisas mais... Depois das ondas, dos mergulhos, dos caldos, das águas sem fim, das algas, das baleias, das âncoras abandonadas sozinhas na areia, estávamos as duas emocionadas e a essa altura Alice tinha já deitado em meu colo... Confiança banhada pelo barulho do mar. Rimos alto, silenciamos, choramos, nos abraçamos, nos despedimos e marcamos um novo acaso, num dia qualquer. Agradeci o presente com o coração latindo alto e segui pelas ruas ardendo de sol, asfalto, buzinas e carros.
Conheci Alice num banco de praça, depois de uns passos no Mercado de São José.
Dali não se vê nem um pedacinho do Atlântico sem ousar um tanto no desejo, na
saudade ou no imaginar. Alice é cega desde que nasceu, tem o sorriso mais lindo
do mundo, leva o mar por dentro do corpo e hoje me ensinou a vê-lo como se
fosse a minha primeira vez...
terça-feira, 12 de abril de 2016
caminhando pelo Recife com a morte nos cabelos
ando cheia de abismos
para quem vive por poesia
é o nada mais fecundo
creio, aquieto
para quem vive por poesia
é o nada mais fecundo
creio, aquieto
espero uma palavra
que me penetre o ventre e salte
que me penetre o ventre e salte
atravessando teus
escuros de passagem
tão antigos
e tão teus
sábado, 9 de abril de 2016
...
de todas as
dualidades inventadas por nós
dentro-fora é a que mais me intriga
por isso caminho de poros abertos
e respiro acariciando o tempo
dentro-fora é a que mais me intriga
por isso caminho de poros abertos
e respiro acariciando o tempo
sexta-feira, 8 de abril de 2016
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Dia de sombras
Amanheci má,
desejando o bem a qualquer réstia, qualquer pó, qualquer coisa que se mova
longe de mim... Indefesa e forte como a morte em todos nós... Cansada de tantos
eus e meias palavras fantasiadas acordei mordendo os gatos da casa, rosnando
mágicas como uma loba sem alcateia. A boca está cheia de pelos agora, o que é
um bom alimento ao silêncio que precede o nada... E hoje é dia de não quero... Hécate, Medeia, Lilith, tudo pulsa fêmeo... Por Deus, não
me peçam amor, não hoje, não aos meus cavalos soltos, cascos selvagens,
correndo em alto mar... Asa de barata, veneno de cobra, uma pitada de currry e
pimenta à vontade... Areia movediça, flores carnívoras e ervas daninhas...
Plantar a 53ª árvore dessa vida, amassar o esterco com as mãos nuas, a bosta
toda se espalhando entre os dedos, enquanto os pés misturam a terra às cinzas
quentes da fogueira há milhares de anos... Só a Natureza pode entrar, a
qualquer voz humana: Mantenha distância!
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