sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sob o signo da Lua


Onde o fogo das estrelas?

À noite o frio rosna
entre as vísceras

O corpo proclama um ciclo novo
sem o meu consentimento

Ossos felinos se contorcem
enjaulados pelo instinto de ir-se...

Delírio?

Se é sangue o que me pedes
assisto a tudo sobre as quatro patas

Com a boca cheia d´água
entrego em paz a agonia à dança

Um sorriso alcança a liberdade
--------------------antes de mim

Hoje o fogo pede descanso
e as estrelas ouvem

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

corredor para uma infância

para minha mãe, que no roseiral, nosso umbigo nas mãos, cavou aquela terra com as próprias unhas...

a casa
o quintal
o cheiro de café

choro sobre a rosa
o cordão umbilical

nas mãos secas
do velho lar
sempre será tempo de flores

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

amor carnal

para Sama

quando olhava os poros dos teus braços

sabia que o tempo
nunca estava em silêncio
----------------- e doía!

como era possível amar tanto
aqueles braços só dele?

era assim esse amor hoje
feito da rotina e crueza
de benquerer esses poros

dói!
às vezes...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

da série paradoxos existenciais

5:5:5

em sua busca pelo fogo
quanto mais sede no ventre
o frio é
------falta que mata e queima

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

uma flor no asfalto

----------
quase fui atropelada
para roubar do asfalto
uma flor ao relento

espasmo e dádiva
num cinza sem volta

como esmagá-la
na memória
do que não vi
com seu amarelo tanto?

parti ao seu encontro
cheia de cegueira no passo
vento nos cabelos e nos seios
poeiras em festa por dentro

pisada de guerreiro
salvando o mundo

trouxe a flor para casa
esculpi o melhor dos jarros

viverá quatro ou cinco dias
alimentando meus olhos

e só agora me dou conta
da gravidade do gesto

esquecida no asfalto
com a morte mais perto
parecia mais livre

terça-feira, 3 de setembro de 2013

elogio da dúvida ou um dia feito à mão


beleza demais também dá medo
olhar o seu avesso às vezes
tem o mesmo nome

hoje do nada piamente
acreditei nos anjos

isso, também às vezes,
me acontece...

talvez o mar
talvez loucura

talvez em algum lugar
a vida seja mesmo
esse imenso bordado

terça-feira, 16 de julho de 2013

Rente


A morte...
outra vez perto
Dentro, como antes

Sem pesos,
apenas se diverte
Pisa e vive comigo

o chão nosso de cada dia

Ventre, avesso e certo
Rente, aqui