domingo, 9 de outubro de 2011

Passo

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Às vezes passo horas a observar essa parte de mim que ama tanto...
E quando me canso, definitivamente, a outra, do nada, está em paz.

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma solidão

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Ecoavam nos ventos do inverno
Balanço de cordas entre galhos secos
Os risos distantes dos meninos da rua
Voz preferida de qualquer infância

Na paz, silêncio do tempo,
Brincando o universo por dentro
Um corpo sob a alma jaz
Asmático e feliz

Pequeno como os outros
Dias fresta, outros janela
Dias palavras, maçãs, cores, sequelas,
Outros deuses, xamãs, poetas e vários bichos...

Quanta doçura cabe nas flores mortas?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

verbos e coisas para dar


quando Deus esculpiu o nosso primeiro modelo em barro
que palavra deve ter gritado?

quando o homem esculpiu a sua primeira palavra feita de mundo...
ganhamos o destino de cantar juntos.

a gente se escreve um no outro
o tempo todo

pelo olhar, pelo cheiro, pelo tato...

nem sempre rima
mas sempre vale a pena...
escrever, dar, esquecer, repartir, receber, apagar, escrever de novo...

virar do avesso cada letra
derramar a música do espelho
espremer-se em poesia

às vezes dói
mas tudo dói...

...mesmo as alegrias

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amor, substantivo próprio

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Perdi a ternura faz três dias hoje
Os homens ao lado não entenderam o riso
Fiquei quieta e plantei onze gritos
Para arrancar com as mãos do retrato
O espelho fosco erguido em teu nome

Saí com o circo para despistar as luzes
Aprendi a voar e engomar meus vestidos
Só para andar nua, às gargalhadas
Sem rosto, sem pele, sem nada
A não ser flores e esperanças

E essa crença na dureza do amor
Meu único senhor, minha única casa

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bichos do mato

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Era o mesmo homem
Não sentia sede nem fome

Era o mesmo alimento
Azul a cor do seu nome
Devorado a cada tormento

Era a mesma crença
As belezas que sempre estão
Os feios que não se calam

Na alma sem diferença
Os olhos dos que se dão
Espelhos dos que não falam

Era a mesma insanidade
Na delicadeza a saciedade
Nas mãos toda a eternidade

De amar tudo a cada hoje
Por não respirar amanhãs

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Passagens e paisagens

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Cheguei cedo demais

aos cumes suicidas

das chuvas de outono


Antes mesmo das folhas

que alcançam o solo

só depois da morte


E ainda assim, dançam...


A luz, na véspera da noite,

não evoca à toa o adeus


Se despede sussurrando estrelas

Porque tudo no mundo merece

os minutos de silêncio

que precedem a ressurreição

domingo, 31 de outubro de 2010

Cinzas de um corpo herege

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Quantos milagres suportamos
Entre o riso e a fraqueza
De esquecer o pôr-do-sol
Nos vestígios mais belos
Desse corpo que passa?

O avesso despido em meio aos umbuzeiros
Ainda virgens das cicatrizes de ontem...

Nudez entre espinhos anunciando rosas

A memória se banha na delicadeza da morte
E oferece o ocaso a todo e qualquer deus
Que aceite recebê-lo em silêncio

Também não creio em milagres
Pero que los hay, los hay