terça-feira, 19 de abril de 2011

Amor, substantivo próprio

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Perdi a ternura faz três dias hoje
Os homens ao lado não entenderam o riso
Fiquei quieta e plantei onze gritos
Para arrancar com as mãos do retrato
O espelho fosco erguido em teu nome

Saí com o circo para despistar as luzes
Aprendi a voar e engomar meus vestidos
Só para andar nua, às gargalhadas
Sem rosto, sem pele, sem nada
A não ser flores e esperanças

E essa crença na dureza do amor
Meu único senhor, minha única casa

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bichos do mato

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Era o mesmo homem
Não sentia sede nem fome

Era o mesmo alimento
Azul a cor do seu nome
Devorado a cada tormento

Era a mesma crença
As belezas que sempre estão
Os feios que não se calam

Na alma sem diferença
Os olhos dos que se dão
Espelhos dos que não falam

Era a mesma insanidade
Na delicadeza a saciedade
Nas mãos toda a eternidade

De amar tudo a cada hoje
Por não respirar amanhãs

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Passagens e paisagens

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Cheguei cedo demais

aos cumes suicidas

das chuvas de outono


Antes mesmo das folhas

que alcançam o solo

só depois da morte


E ainda assim, dançam...


A luz, na véspera da noite,

não evoca à toa o adeus


Se despede sussurrando estrelas

Porque tudo no mundo merece

os minutos de silêncio

que precedem a ressurreição

domingo, 31 de outubro de 2010

Cinzas de um corpo herege

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Quantos milagres suportamos
Entre o riso e a fraqueza
De esquecer o pôr-do-sol
Nos vestígios mais belos
Desse corpo que passa?

O avesso despido em meio aos umbuzeiros
Ainda virgens das cicatrizes de ontem...

Nudez entre espinhos anunciando rosas

A memória se banha na delicadeza da morte
E oferece o ocaso a todo e qualquer deus
Que aceite recebê-lo em silêncio

Também não creio em milagres
Pero que los hay, los hay

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pacto de sangue

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Há uma sobra de tempo entre os meus seios
A pele perfeita, intumescida ao avanço das águas
O peso das tuas mãos
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Dentro ou fora dá no mesmo gritam os poros

As gengivas roçam o ventre
Ao espasmo do fogo
E mesmo assim, a boca aberta
As pernas lavadas de sangue...

Há um acordo entre o que dôo à terra
E a lua minguante:
a morte e a vida

são atos de fecundação

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Libertações metafísicas

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Rosas castigadas
Sem dentes
Dormindo nuas
Como se as cores
Fossem livres da luz

Rosas mofadas
Caminho de morte
Ferindo, feridas
Como se a beleza
Fosse livre da vida