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As árvores lentamente caminham
seu rastro verde sob o céu.
Um lento tão vertical!
Às vezes somos pobres
para o tempo que escorre
entre as folhas que nos olham.
Raízes e asas não precisam da gente para quase nada.
Agitam-se e aprendem o vento...
----------------------------------- O espaço...
--------------------------------------------------A vida...
Acalmam-se...
-------------------E já é a vida.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
As mãos
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No leito de suas sedes mais delicadas
Ela viu a cor do invisível um dia
Tinha outros nomes e uma imagem
Como o vento se chama tantos e se vê
Os lírios, os seios, os dentes, as asas...
Desejou por fé no gozo que sentia
As vozes em volta diluídas na paisagem
O corpo de Dalí, no ventre de Monet
Contradições! Olho e dou risadas
Da saia que guardei e ainda uso
Daquele tempo de pedras e facas
Da gaze branca, avermelhada
Roçando nela como o pulso
De um coração que falta
Lambi suas lágrimas
Antes do café de ontem
Porque gosto do sangue
Não, minto...
Fiz pela paz da orgia
Em suas mãos ausentes
No leito de suas sedes mais delicadas
Ela viu a cor do invisível um dia
Tinha outros nomes e uma imagem
Como o vento se chama tantos e se vê
Os lírios, os seios, os dentes, as asas...
Desejou por fé no gozo que sentia
As vozes em volta diluídas na paisagem
O corpo de Dalí, no ventre de Monet
Contradições! Olho e dou risadas
Da saia que guardei e ainda uso
Daquele tempo de pedras e facas
Da gaze branca, avermelhada
Roçando nela como o pulso
De um coração que falta
Lambi suas lágrimas
Antes do café de ontem
Porque gosto do sangue
Não, minto...
Fiz pela paz da orgia
Em suas mãos ausentes
sábado, 10 de março de 2012
orientação
(para o amor e para o velho Guima, humildemente)
"Esperar é um à-toa muito ativo.”
(João Guimarães Rosa)
onde estariam meus pés
se caminhassem agora
quando te espero entrar
com a ruga na testa
de quem luta faz tempo
n´alma tua e ausente?
marcas de uns enganos
alguns encontros e outros
passos que o dia sopra...
obras do viver
enquanto se vive
com os pés no rio
eternamente
rio que dança e mostra os dentes
por tão doce saber-se a-mar-go
de corpo inteiro
"Esperar é um à-toa muito ativo.”
(João Guimarães Rosa)
onde estariam meus pés
se caminhassem agora
quando te espero entrar
com a ruga na testa
de quem luta faz tempo
n´alma tua e ausente?
marcas de uns enganos
alguns encontros e outros
passos que o dia sopra...
obras do viver
enquanto se vive
com os pés no rio
eternamente
rio que dança e mostra os dentes
por tão doce saber-se a-mar-go
de corpo inteiro
sexta-feira, 9 de março de 2012
Carta a Sabra, Shatila e Esperantina
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Porque meu pai não morreu na guerra
Fui feliz desde menina
Se com os idos caísse ferido
De um lado que não acredito
Ou sonhasse distinto
Só por ter partido...
Ou quem sabe o barro
Guardião das minhas unhas
Escorrendo pelos braços
-----------Como agora?
Protegida ao acaso
Não colhi seus ossos
A sangrar meus olhos
Com as tuas lágrimas
Entre ir ou ficar
São sempre tantas vidas
Meu quinhão para sorrir
E também para chorar
Porque meu pai não morreu na guerra
E fui feliz desde nascida
Porque meu pai não morreu na guerra
Fui feliz desde menina
Se com os idos caísse ferido
De um lado que não acredito
Ou sonhasse distinto
Só por ter partido...
Ou quem sabe o barro
Guardião das minhas unhas
Escorrendo pelos braços
-----------Como agora?
Protegida ao acaso
Não colhi seus ossos
A sangrar meus olhos
Com as tuas lágrimas
Entre ir ou ficar
São sempre tantas vidas
Meu quinhão para sorrir
E também para chorar
Porque meu pai não morreu na guerra
E fui feliz desde nascida
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Fragmentos...
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Verão
O gozo do espelho
É brincar de sentir
A cor do vento
Outono
Na lambida da chuva
O útero do sol
Fecunda o arco-íris
Inverno
No lugar mais profundo
A vida é um sopro
Misturado ao azul
Verão
O gozo do espelho
É brincar de sentir
A cor do vento
Outono
Na lambida da chuva
O útero do sol
Fecunda o arco-íris
Inverno
No lugar mais profundo
A vida é um sopro
Misturado ao azul
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Saudade banhada de sol
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Entre tantas fomes e tantos medos
que seja mais tenra a colheita no arrebol
Pele em êxtase pelo sangue
roubando sem cessar a secura do nunca
nos olhos acesos de tantos cantos, de tanto sol
A colheita rara entre os nossos dentes
arregaça na cara, de frente
o sonho de ontem
Sementes cravadas se tocam
nas carícias vividas
apenas em tuas mãos
Amanhã vou ao mercado bem cedo
Darei tudo que tenho por um regador
até que teu corpo seja rio e raízes
E eu, um estuário somente
Sem âncoras nem quilhas, nada que fira
a face desse mar que nos abre seus braços
Entre tantas fomes e tantos medos
que seja mais tenra a colheita no arrebol
Pele em êxtase pelo sangue
roubando sem cessar a secura do nunca
nos olhos acesos de tantos cantos, de tanto sol
A colheita rara entre os nossos dentes
arregaça na cara, de frente
o sonho de ontem
Sementes cravadas se tocam
nas carícias vividas
apenas em tuas mãos
Amanhã vou ao mercado bem cedo
Darei tudo que tenho por um regador
até que teu corpo seja rio e raízes
E eu, um estuário somente
Sem âncoras nem quilhas, nada que fira
a face desse mar que nos abre seus braços
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Batom cor de vida
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Antes do apelo
Foi-se o tempo
Já sem fôlego
Para o verso
A sombra
Ou o grito
O filho perdido
No silêncio do mar
O umbigo da flor
Apertado nas mãos
Lá também
Só escurece de noite
Em suas vestes de sol
O coração anoitece
E ela acende o mundo
No arrebol de um aborto
É uma bela mulher
Não resta a menor dúvida
Antes do apelo
Foi-se o tempo
Já sem fôlego
Para o verso
A sombra
Ou o grito
O filho perdido
No silêncio do mar
O umbigo da flor
Apertado nas mãos
Lá também
Só escurece de noite
Em suas vestes de sol
O coração anoitece
E ela acende o mundo
No arrebol de um aborto
É uma bela mulher
Não resta a menor dúvida
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