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Quantos milagres suportamos
Entre o riso e a fraqueza
De esquecer o pôr-do-sol
Nos vestígios mais belos
Desse corpo que passa?
O avesso despido em meio aos umbuzeiros
Ainda virgens das cicatrizes de ontem...
Nudez entre espinhos anunciando rosas
A memória se banha na delicadeza da morte
E oferece o ocaso a todo e qualquer deus
Que aceite recebê-lo em silêncio
Também não creio em milagres
Pero que los hay, los hay
domingo, 31 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Pacto de sangue
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Há uma sobra de tempo entre os meus seios
A pele perfeita, intumescida ao avanço das águas
O peso das tuas mãos
-------------------------- (serão minhas?)
Dentro ou fora dá no mesmo gritam os poros
As gengivas roçam o ventre
Ao espasmo do fogo
E mesmo assim, a boca aberta
As pernas lavadas de sangue...
Há um acordo entre o que dôo à terra
E a lua minguante:
a morte e a vida
são atos de fecundação
Há uma sobra de tempo entre os meus seios
A pele perfeita, intumescida ao avanço das águas
O peso das tuas mãos
-------------------------- (serão minhas?)
Dentro ou fora dá no mesmo gritam os poros
As gengivas roçam o ventre
Ao espasmo do fogo
E mesmo assim, a boca aberta
As pernas lavadas de sangue...
Há um acordo entre o que dôo à terra
E a lua minguante:
a morte e a vida
são atos de fecundação
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Libertações metafísicas
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Rosas castigadas
Sem dentes
Dormindo nuas
Como se as cores
Fossem livres da luz
Rosas mofadas
Caminho de morte
Ferindo, feridas
Como se a beleza
Fosse livre da vida
Rosas castigadas
Sem dentes
Dormindo nuas
Como se as cores
Fossem livres da luz
Rosas mofadas
Caminho de morte
Ferindo, feridas
Como se a beleza
Fosse livre da vida
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Lembranças da estrada
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Aprendeu a fazer arco-íris aos quatro anos
Um pouco de água, doses de solidão, infância
E a luz do sol, de preferência de manhã cedo
Hoje dói a escassez dos banhos no jardim
E ela chora em silêncio até enquanto canta
Era ainda muito criança no dia mais feliz da sua vida
Aprendeu a fazer arco-íris aos quatro anos
Um pouco de água, doses de solidão, infância
E a luz do sol, de preferência de manhã cedo
Hoje dói a escassez dos banhos no jardim
E ela chora em silêncio até enquanto canta
Era ainda muito criança no dia mais feliz da sua vida
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Um aceno aos amantes da literatura
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Era uma vez um menino.
Brilho nos olhos ele tinha, transbordamentos de infância, mesmo cercado de cinzas.
Um dia ele ouviu o professor contando uma história, permeada de rimas, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino e um sonho.
O professor, abraçando na criança aquele gosto novo, deu de presente um livro, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino, um livro e muitos sonhos coloridos.
Numa manhã estrelada, um homem que acredita alugou uma casa ali, bem no bairro do menino, recolheu livros bem legais, pediu doações de estantes e cadeiras e inaugurou uma biblioteca, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino cercado de livros e um universo inteiro se abrindo.
E o menino hoje lê histórias para todas as crianças do antigo Alto Sem Futuro, que até mudou de nome, agora é Alto da Esperança, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino cercado de crianças, uma biblioteca e muitos sonhos-realidades nascendo todo dia.
Vai um pedido aos poucos leitores que se aventuram por aqui... A Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife precisa de ajuda. Equipamentos, trabalho voluntário e doações em dinheiro, qualquer valor, são urgentes. Para depositar: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003.
Quem quiser conhecer melhor o trabalho feito pelas bibliotecas, que vêm através de várias ações fortalecendo a prática da leitura e democratização do acesso ao livro em suas diversas modalidades: informativa, formativa e recreativa, como um direito humano, fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e comunitário, é só acessar o endereço http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com. Mais informações pelos telefones 3244-3325 e 8850-5507.
Brilho nos olhos ele tinha, transbordamentos de infância, mesmo cercado de cinzas.
Um dia ele ouviu o professor contando uma história, permeada de rimas, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino e um sonho.
O professor, abraçando na criança aquele gosto novo, deu de presente um livro, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino, um livro e muitos sonhos coloridos.
Numa manhã estrelada, um homem que acredita alugou uma casa ali, bem no bairro do menino, recolheu livros bem legais, pediu doações de estantes e cadeiras e inaugurou uma biblioteca, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino cercado de livros e um universo inteiro se abrindo.
E o menino hoje lê histórias para todas as crianças do antigo Alto Sem Futuro, que até mudou de nome, agora é Alto da Esperança, e mudou o rumo da prosa.
Era uma vez um menino cercado de crianças, uma biblioteca e muitos sonhos-realidades nascendo todo dia.
Vai um pedido aos poucos leitores que se aventuram por aqui... A Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife precisa de ajuda. Equipamentos, trabalho voluntário e doações em dinheiro, qualquer valor, são urgentes. Para depositar: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003.
Quem quiser conhecer melhor o trabalho feito pelas bibliotecas, que vêm através de várias ações fortalecendo a prática da leitura e democratização do acesso ao livro em suas diversas modalidades: informativa, formativa e recreativa, como um direito humano, fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e comunitário, é só acessar o endereço http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com. Mais informações pelos telefones 3244-3325 e 8850-5507.
domingo, 1 de agosto de 2010
Tentativa de arco-íris em agosto
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No ventre da escadaria
Dois guarda-chuvas
Como pássaros cansados
Simplesmente esperam
O céu e suas escamas
Sem carne
No caminho
Vermelho como o ar
Olhos infantes
Perfuram o vento
E a fome...
Caça balões coloridos
Sorrisos mornos,
Azuis, infames, despidos,
Inteiros, partidos
De bicho, in-di-gente
Os peixes magros
As bocas desertas
Ensebadas de nuvens
Na gratuidade do parque
Tudo parece esquecer
Que o domingo morre
E tudo é fértil
E brota
E só porque se move
Enraíza
Em algum lugar
Uma árvore é parida
Enquanto chove
E a felicidade existe
No ventre da escadaria
Dois guarda-chuvas
Como pássaros cansados
Simplesmente esperam
O céu e suas escamas
Sem carne
No caminho
Vermelho como o ar
Olhos infantes
Perfuram o vento
E a fome...
Caça balões coloridos
Sorrisos mornos,
Azuis, infames, despidos,
Inteiros, partidos
De bicho, in-di-gente
Os peixes magros
As bocas desertas
Ensebadas de nuvens
Na gratuidade do parque
Tudo parece esquecer
Que o domingo morre
E tudo é fértil
E brota
E só porque se move
Enraíza
Em algum lugar
Uma árvore é parida
Enquanto chove
E a felicidade existe
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